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Qual é a probabilidade de um bóia-fria, que foi para a cidade grande trabalhar como servente de pedreiro ser aprovado no concurso para Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo? Eis a história vencedora do paulista Jefferson Valentin que conseguiu contrariar as estatísticas e chegar à tão sonhada vaga como servidor público.

Ele viveu toda a infância na pequena cidade de Santa Salete no interior paulista. Filho de pais pobres, Jefferson estudou durante toda a vida em escolas públicas sempre no turno da noite: “Eu tinha de estudar no período noturno para ajudar meus pais na lavoura durante o dia. Cursei o ensino médio no Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério, escola técnica que habilitava em licenciatura no ensino infantil e, depois de formado, voltei ao trabalho na roça.”

A vontade de vencer na vida fez com que Jefferson alçasse voos mais altos. Foi então que, aos 19 anos ele decidiu deixar a roça e seguir para São José do Rio Preto que também fica no interior do estado de São Paulo: “Ao chegar à cidade vi que as oportunidades não eram grandes, fui morar de favor na casa de parentes. Durante um ano trabalhei como servente de pedreiro foi quando conheci um taxista que me deu a oportunidade de dirigir o táxi nas horas de descanso dele.”

Mesmo tendo de trabalhar durante boa parte do dia, Jefferson não desistiu dos estudos: “Tinha o sonho de entrar na universidade, por isso procurava achar maneiras de estudar, entre uma corrida e outra. No táxi eu estudava para o vestibular para o curso de letras da Universidade estadual Paulista. Não que esse fosse o curso dos meus sonhos, na verdade essa opção foi meramente pragmática já que Letras, na UNESP, era o único curso superior noturno, gratuito, no qual eu tinha condições de ser aprovado. ”

No ano de 2000 ele foi aprovado no vestibular foi aí que surgiu um novo problema: “Passar no vestibular para mim foi uma mistura de alegria e preocupação, pois teria que deixar o trabalho no táxi para fazer a faculdade e, sem dinheiro, era praticamente impossível eu me sustentar na cidade.”

Mas o destino deu “uma mãozinha” para que Jefferson não desistisse dos estudos: “Fiquei sabendo por um passageiro do táxi que o INSS estava aceitando currículos para trabalhar em uma empresa terceirizada que prestaria serviço àquela autarquia. Montei meu currículo e entreguei, fui chamado para entrevista, fui aprovado e comecei a trabalhar lá no mesmo dia em que começaram as aulas na faculdade.”

Em 2003, por ordem do Tribunal de Contas de União, o INSS teve de fazer concurso para substituir a mão de obra terceirizada, o que incluía o nosso estudante. Sem titubear Jefferson fez o concurso e conseguiu ser aprovado para o cargo de técnico de seguro social. Mas se enganam aqueles que acham que a história parou por aí. Dois anos depois, já formado no curso de letras, ele resolveu voltar aos estudos para conseguir um cargo melhor, dessa vez na área fiscal: “Eu e minha esposa nos matriculamos em cursinhos, compramos livros e começamos nossa jornada. Foi um período de muitas provações estudando cerca de 6 horas por dia, além do trabalho, deixando de lado família, finais de semana, lazer e tudo mais que fazem as pessoas “normais,” pra nos transformar em concurseiros.”

Mas o sucesso não chegou de forma repentina à vida do antigo bóia-fria. Entre 2006 e 2009 ele e a esposa fizeram vários concursos, mas a tão sonhada aprovação não chegava: “Fizemos o concurso para analista tributário da receita federal, mas não obtivemos sucesso. Batemos na trave no concurso para auditor fiscal de tributos municipais da prefeitura de São José do Rio Preto quando minha esposa ficou em 22º e eu em 28º, mas a prefeitura nomeou apenas 20 pessoas e tivemos que continuar nossa luta.”

Foi aí que Jefferson conheceu o Euvoupassar que ajudou ele e a esposa a se prepararem ainda mais para os concursos públicos: “Embora muito maior que a cidade onde cresci, São José do Rio Preto não dispõe de muitos cursinhos especializados e se não fosse o EVP não teríamos acesso a professores de tão alto nível.”

Meses depois, Jefferson e a esposa fizeram o concurso para Agente Fiscal de Rendas de São Paulo e veio a vitória: “Intensificamos ainda mais nosso estudo e passamos! Eu em 4º e minha esposa em 307º. Foi a consagração de quase 4 anos de trabalho duro, sob condições nem sempre favoráveis, mas sempre assessorados por grandes profissionais como os professores do EVP. Agradecemos do fundo do coração pela ajuda e pelo brilhante trabalho desenvolvido pelo EVP.”

Qual é a probabilidade de um bóia-fria, que foi para a cidade grande trabalhar como servente de pedreiro ser aprovado no concurso para Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo? A resposta: todas! “Para os colegas que continuam na luta, estudando, não serei mais um que lhes passará “fórmulas mágicas” ou “dicas” de como passar num concurso. Apenas um conselho: acreditem em si mesmos, vocês são as únicas pessoas capazes de definir como será seu futuro, mais ninguém. Boa sorte a todos. Jefferson Valentin.”

5 Comments

  1. Ronie disse:

    Olá Jefferson, muito inspiradora sua história, vc já foi meu vizinho!! Atualmente moro em Urânia- SP, somente 4 KM de Santa Salete, até assustei com um depoimento de uma pessoa tão próxima, rsrs. E agora também busco uma vaga no setor público, vou tentar uma vaga para nível médio, apesar de já ter curso superior, quero um concurso menos díficil e com um salário razoável apenas para me bancar enquanto estudo para outros mais difícieis. O concurso do Banco do Brasil cai como uma luva, já que tem um salário razoável e carga horária inicial de 6 horas diárias, o que me deixa tempo para continuar estudando ou quem sabe fazer carreira lá caso goste, nunca se sabe. Abraço!!

  2. Eric Paes disse:

    Olá, Jefferson!!
    Também tenho uma narrativa de vida pautada pela superação de obstáculos que antes pareciam intransponíveis mas que, com muito trabalho, estudo e obstinação, além de uma boa dose de ajuda e orientação, vem sendo superados cotidianamente. Em razão desta história, fui convidado a falar hoje para um grupo de jovens carentes na minha cidade. Gostaria que você soubesse que estou levando esta sua história para estes jovens com o intuito de inspirá-los a encarar a vida com uma perspectiva mais positiva e pautados nos fundamentos do trabalho, estudo e dedicação, acreditando que o futuro pode ser melhor.
    Um forte abraço e sucesso.

  3. HMM disse:

    ROBERTO OTOFUJI FOI O QUARTO COLOCADO NESSE CONCURSO

  4. Jefferson Valentin disse:

    Então, camarada, por favor, dê uma olhada no Diário Oficial do Estado, dia 07/11/2009, Poder Executivo, Seção I, página 287. Para facilitar sua vida, segue um trecho:

    ANEXO I – EDITAL DRH Nº. 32/2009
    LISTA GERAL DE CLASSIFICAÇÃO FINAL
    ÁREA DE CONHECIMENTO: A01 – AG FISCAL DE RENDASNÍV
    BÁSICO-GESTÃO TRIBUTÁRIA
    NÚMERO NOME DOCUMENTO PONTOS CLASS
    032827d FABIOLA YAMAMOTO 00000000M9283539 294.00 1
    007916j IVAN OZAWA OZAI 0000000355406913 286.00 2
    011766d MARIA CAROLINA GONCALVES CAIRES 0000000255335258 285.00 3
    039080k JEFFERSON VALENTIN 0000000246953974 285.00 4
    006184a FAUSTO EIKI DOREA KITASATO 0000000264261008 285.00 5
    010376h LUIS CESAR SANTOS COSTA 0000000375650659 283.00 6
    023331g LEANDRO GOMES MOREIRA 0000000403263360 283.00 7
    004598g DOUGLAS LUI DE AGUIAR 0000000341147151 283.00 8
    033252f LUIZ PAULO MACHADO E SILVA 000000MG10291918 282.00 9

  5. Alexssandra disse:

    Eu leio os depoimentos e fico chorando… parabéns Jeferson a você e sua esposa pela dedicação e acreditarem.

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