Home » News » Gabaritos de concursos cancelados em Goiás tinham sequência repetida

Governo cancelou provas para cargos nas polícias Civil e Militar. Medida foi tomada após candidatos fazerem denúncia nas redes sociais.

Os gabaritos das provas objetivas canceladas dos concursos para as polícias Civil e Militar em Goiás tinham apenas duas sequências de letras, que se repetiam até completar as 100 questões. A denúncia foi feita por candidatos ao Ministério Público de Goiás e nas redes sociais, logo após a divulgação do resultado preliminar pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), organizadora dos exames, na segunda-feira (25). A suposta fraude levou o governo estadual a cancelar os quatro exames já realizados.

Segundo os candidatos, ao analisar concursos anteriores da área de Segurança Pública, foi constatado o mesmo problema. Em entrevista ao G1, a diretora do Núcleo de Seleção da Universidade Estadual de Goiás, Eliana Nogueira, concordou que há no gabarito um padrão que precisa ser apurado: “É uma sequência muito evidente”. A Secretaria Estadual de Gestão e Planejamento (Segplan) cancelou as provas de quatro concursos, atingindo 76.694 candidatos inscritos.

Os concursos cancelados são referentes aos cargos de escrivão e de delegado substituto da Polícia Civil de Goiás e para os cargos de soldado e oficiais da saúde e cadete da Polícia Militar de Goiás.

A prova objetiva para agente da Polícia Civil está marcada para o próximo domingo (2). A Segplan informou ao G1, na manhã desta terça-feira (26), que o cancelamento deste exame ainda está sendo estudado.

Os candidatos fizeram uma campanha na internet reclamando da sequência numérica e de letras, que se repetia. “Fraude delegado PCGO! Para passar bastava decorar duas sequências de letras”, era o que trazia um dos posts nas redes sociais.

A prova A de delegado, por exemplo, tinha uma sequência de letras nas questões de 1 a 10 e outra na de 11 a 20. Depois, a mesma ordem se repetia, até completar as 100 questões objetivas, num total de 5 repetições cada. As provas B, C e D apresentavam o mesmo esquema da prova A. “A prova do tipo A que teve no domingo retrasado para escrivão é do mesmo tipo do tipo B para delegado”, afirma uma das inscritas no processo seletivo.

O Ministério Público de Goiás também foi procurado pelos candidatos para formalizar a reclamação. O procedimento de investigação foi aberto pela promotoria ainda na segunda-feira e encaminhado para Anápolis, onde está a sede da UEG. Além disso, o promotor Fernando Krebs afirmou estranhar a seleção da unidade de ensino para elaborar o exame. “É uma das piores universidades do Brasil e, ainda assim, o estado está dispensando licitações para contratar a UEG”, comenta o promotor.

Em comunicados no site da instituição, o Núcleo de Seleção da UEG informou sobre o cancelamento das provas objetivas para soldado, oficial de saúde e cadete da Polícia Militar, além dos exames para escrivão e delegado substituto da Polícia Civil. A medida foi tomada, segundo a unidade de ensino, “com o objetivo de zelar pela lisura do certame”.

A instituição reconheceu na nota o que chamou de problema técnico: “Houve de fato uma falha técnica no embaralhamento das proposições relativas à resposta correta de cada questão, ocasionando uma sequência de letras que se repetiu até o final do gabarito”. Ainda segundo um dos comunicados, o problema se repetiu em todas as provas, inclusive nas aplicadas no começo do mês.

A Segplan informou que a Escola de Governo Henrique Santillo agendará nova data para realização das provas. A secretaria não informou, contudo, quem realizará os novos exames, se a UEG permanecerá ou será substituída, nem de que forma outra instituição será escolhida. A Segplan pede que os candidatos inscritos aguardem por novas orientações.

Fonte: G1

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