Home » News » Cresce o número de mulheres no sistema de segurança pública do AM

Hoje no Estado são 2.634 policiais civis e militares atuando de igual para igual ao lado dos homens.

Manaus – Elas podem até representar menos de 20,8% de um efetivo de 12,6 mil servidores estaduais, mas com força e determinação ocupam funções desafiadoras dentro do Sistema de Segurança Pública do Amazonas. Quem apostou que as mulheres, reverenciadas na próxima sexta-feira, 8, Dia Internacional da Mulher, são as estrelas desta matéria, acertou.

Dividido em cinco corporações – Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AM) e Corregedoria-Geral, – o campo da segurança pública apresenta, hoje, no Estado, 2.634 mulheres desempenhando funções civis e militares.

O Detran/AM, com 272 (60,8%) servidoras e estagiárias do universo total de 447 membros, lidera o ranking com a maior incidência de representantes do gênero. Em seguida, está a Polícia Civil, com 1.368 (54,7%) escrivães, delegadas e investigadoras, do quadro de 2,5 mil funcionários.

Em terceiro lugar, com 58 (44,6%) mulheres, de 130 funcionários, está a Corregedoria-Geral gerida por uma representante feminina, Aparecida Reis.

Com 9,5 mil policias, distribuídos em cargos de soldado a coronel, a Polícia Militar conta com 900 (9,4%) servidoras em seu quadro funcional, responsáveis por comandar operações, dirigir viaturas e executar abordagens.

No Corpo de Bombeiros, a presença delas ainda é tímida, 36 (7,2%), de um universo de 500 concursados. Fator que não tem impedido as amazonenses a conquistar até o espaço aéreo. Membro da corporação desde2004, a capitã Karina Oliveira dos Reis, 27, é uma das primeiras oficiais femininas e a única a pilotar um helicóptero da segurança pública da Região Norte.

A busca por estabilidade e o sonho de seguir a carreira militar, segundo Karina, foram alguns dos combustíveis que a fizeram suportar as inúmeras avaliações e o tempo longe da família. “Confesso que não foi fácil. Passei um anoem São Paulo e o mesmo período em Fortaleza realizando treinamentos”, lembra a oficial, revelando que as pessoas ainda não esperam ver uma mulher exercendo a função.

Noiva de um capitão da Polícia Militar e amante de hobbies como viajar, malhar e ir ao cinema, a piloto conta que, por enquanto, não pensa em ter filhos. “Tive que abrir mão da faculdade no passado, mas passei no vestibular para Direito, neste ano, e vou cursar”, revelou animada.

À frente de uma tarefa tabu para algumas mulheres – ser motorista -, há quase dois anos, a soldado da Polícia Militar Francyne Annick Castro, 26, é a única mulher lotada na 28ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) a dirigir uma viatura do Ronda no Bairro.

Prestes a se formarem Relações Públicas, a profissional, que não abre mão de fazer compras no shopping e cuidar da aparência, conta ter sofrido preconceito dos próprios amigos ao optar pela carreira. “Eles diziam que eu não tinha o perfil, pois era feminina demais”.

Noiva de um colega de farda e interessada em cursar a faculdade de Direito, Francyne afirma que a preocupação da mãe com os perigos da vida de policial já estão contornados. “Nenhuma mãe sonha em ter uma filha policial, mas agora ela entende”, garantiu.

Vinda de Brasília há pouco mais de dois anos, após ser aprovada no concurso público para delegada, Ana Cristina Braga, 30, comanda com pulso firme o 26º Distrito Integrados de Polícia (DIP), empenhada ao combate ao tráfico de drogas, no bairro Santa Etelvina, zona norte.

A distância da família, residente em Brasília, e a resistência da comunidade foram alguns dos desafios enfrentados por Ana Cristina, no início da profissão. “Os homens quando me viam se retraiam. Até como estagiária cheguei a ser confundida, mas após conhecerem minha atuação, a receptividade virou realidade”, informou, ressaltando que as mulheres são obrigadas a provar diariamente a competência.

Há cinco anos como corregedora-auxiliar do sistema de Segurança Pública do Amazonas, a advogada Cintia dos Santos, 42, superou uma gestação precoce e as dificuldades de conciliar os estudos com o trabalho e a família.

Responsável por analisar processos administrativos contra servidores da segurança, Cintia revela que nem mesmo uma ameaça no início da carreira a fez pensar em desistir. “A investigação é uma chance de dar ao servidor o direito a ampla defesa. A ameaça que sofri não me tirou do foco”.

Apaixonada pelo que faz, ela conta que já chegou a esquecer o próprio aniversário por causa do trabalho. “Foi muito engraçado. Quando cheguei em casa, por volta de meia noite, estava toda minha família cansada de me esperar”, contou rindo.

Fonte: D24am

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