Home » News » Faltam docentes em 40,9% das escolas gaúchas

Cpers revela, também, que 54,1% dos estabelecimentos não têm ou não sabem se possuem um plano contra incêndio

O Cpers/Sindicato divulgou ontem um levantamento feito nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul com o objetivo de identificar as condições atuais da rede de ensino. A pesquisa, feita pelo Núcleo de Pesquisas da Interlig Propaganda, constatou que há déficit de professores em 40,9% das escolas entrevistadas. Em 54,5% destas, faltam mais de dois docentes.

A maior lacuna está na Região Metropolitana, que apresenta em algumas instituições carência de até dez professores. O estudo foi feito por amostragem, utilizando informações repassadas pela direção de 355 escolas, de um universo de 2.684 estabelecimentos de ensino.

Outro ponto preocupante diz respeito ao Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI), pois 54,1% das escolas não têm ou não souberam responder se contam com um – foram 38% sem plano e 16,1% que desconhecem sua existência. A maioria destes estabelecimentos (52,6%) atende a alunos do Ensino Fundamental. Os dados foram coletados nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro de 2013.

“Contratamos o levantamento no início do ano letivo para denunciar a situação da educação no Estado. As escolas estão um caos. O governo teve dois meses para arrumar os estabelecimentos e muitos se encontram sem condições de funcionar. A pesquisa mostra que em 66,48% deles algum setor, serviço ou espaço não funciona, seja por falta de recursos humanos ou infraestrutura”, critica a presidente do Cpers, Rejane de Oliveira. Em 28,17% das escolas, são as bibliotecas que não funcionam, e, em 27,04%, os laboratórios de informática.

No início do ano letivo estadual na Capital, no dia 27 de fevereiro, pelo menos cinco escolas tiveram problemas com a falta de professores. Mesmo assim, o titular da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Jose Clovis Azevedo, garantiu que não existe déficit de docentes, mas, sim, problemas nos contratos emergenciais.

O levantamento revela ainda que em 45,1% das unidades existe falta de funcionários. “Os que continuam nas escolas estão sobrecarregados, e em 13,5% dos estabelecimentos existe excesso de alunos. O governo ainda tomou a decisão de juntar os estudantes reprovados e os aprovados, passando de ano todos automaticamente, para mudar o alto índice de reprovação. Isso é uma política de faz de conta”, diz Rejane.

Segundo a dirigente sindical, o Estado mantém essa situação quando manipula os concursos públicos para que os trabalhadores não sejam aprovados. Sobre a falta de infraestrutura, Rejane relata que muitos estudantes estão sendo realocados em galpões, pois as salas de aula estão precárias.

A vice-presidente do Cpers, Neida de Oliveira, afirma que o levantamento sobre a existência de PPCI foi feita com o auxílio de um engenheiro, que constatou também diversos problemas de infraestrutura, como fios soltos e botijões de gás acomodados de forma inadequada. “Achamos um escândalo que mais da metade não tenha o plano ou não saiba se tem. Estamos fazendo a nossa tarefa, pois nossos alunos estão correndo um grande perigo dentro das escolas”, ressalta.

‘Tudo isso é verdade’, admite Tarso Genro

O governador do Estado se manifestou ontem sobre os dados apresentados pela representação sindical dos docentes estaduais. Tarso Genro salientou que não tinha conhecimento detalhado do que foi apresentado, mas não negou os problemas. “Eu não vi o levantamento do Cpers, mas tudo isso é verdade. É um legado de desmandos que recebemos. Colocar em dia tudo isso leva tempo. O importante é que esse ‘em dia’ já começou”, afirmou.

Para o secretário de Educação, porém, o estudo não pode ser considerado definitivo. “Embora possa ser uma amostragem, a pesquisa não tem metodologia para captar a realidade da rede pública”, observou Jose Clovis Azevedo.

Em meio a cobranças, governo do Estado celebra ações na área

Após uma manhã em que a representação dos professores estaduais cobrou a falta de docentes e de funcionários nas escolas, o governo do Estado realizou na tarde de ontem a entrega simbólica dos primeiros 30 tablets para os 22 mil professores efetivos do Ensino Médio e de dois dos 27 tratores para cada uma das escolas técnicas agrícolas estaduais. A cerimônia, que aconteceu no salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, lotado, foi um grande ato político da gestão estadual.

Em meio a homenagens aos estudantes vencedores das Olímpiadas Escolares nas áreas de Matemática e Língua Portuguesa, o secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, e o governador Tarso Genro saudaram as iniciativas do Piratini em prol da educação, destacando os avanços obtidos durante o atual governo em relação aos anteriores.

Conforme Azevedo, até abril, serão concluídas 1.050 obras emergenciais em escolas. “Recebemos a rede, em 2011, em estado precário, com mais de mil escolas em emergência. Estabelecemos uma política de recuperação. Tínhamos processos emergenciais com carimbo de 2003 parados”, afirmou. A defesa do projeto atual também foi enfática por parte do governador. “Não é correto exigir que outros governos fizessem o que estamos fazendo, pois isso seria borrar as nossas diferenças. É uma vergonha a forma como recebemos as escolas no Rio Grande do Sul, com emergências há oito anos sem resposta. As decisões que tomamos significam uma mudança no projeto político para o Estado”, disse Tarso, que utilizou como exemplo da mudança de visão do governo a não renovação de concessões de pedágios para a iniciativa privada.

Um tema delicado para o governo, o piso nacional do magistério, também foi abordado. Segundo Tarso, desde o início, se definiu que seria necessária uma política que visasse ao pagamento do piso nacional até o final do mandato, em 2014. O governador também ressaltou o plano de reajuste aprovado na assembleia no ano passado. “Desafio qualquer governo que tenha negociado com os professores um aumento real de mais de 50% em quatro anos. E é insuficiente. Estamos sacrificando outras áreas para responder a essa questão chave”, enfatizou.

A realização de grandes reformas em 1.028 escolas, sendo 524 na primeira fase, com investimentos de mais de R$ 1,5 milhão em cada uma foi celebrada por Azevedo. Conforme ele, a entrega de tratores para as escolas agrícolas também é um marco da valorização da área. “Há duas décadas nossas escolas agrícolas não recebiam um trator. Cada uma delas irá receber um novo”, observou.

Azevedo ressaltou que escolas reformadas e novos equipamentos precisam resultar em melhorias na aprendizagem. Para o secretário, o grande desafio é “desnaturalizar a repetência”. “Não podemos conviver com 21% de repetência na nossa rede. Nenhum país do mundo aceitaria isso. Isso só ocorre em um país com cinco séculos de exclusão. Não podemos ter uma escola que legitima a exclusão.”

Fonte: Jornal do Comércio

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