Home » News » Pernambuco está há mais de 20 anos sem fazer concurso para áreas estratégicas

Com as finanças apertadas, Estado segue sem fazer concurso em áreas fundamentais para o crescimento econômico

Copa do Mundo, Fiat em Goiana e a expansão contínua de Suape são desafios gigantes. Exigem criatividade, visão de longo prazo, boa gestão de recursos e muita fiscalização do Estado. Mas uma curiosa contradição aflora nas áreas que, da máquina pública para fora, encaram de frente os impactos bons e ruins do crescimento de Pernambuco. Há tanto tempo não se faz concurso público para auditores fiscais, engenheiros e planejadores que o quadro de pessoal encolheu e boa parte está na iminência de se aposentar. São áreas sem novos efetivos há mais de 20 anos, um desafio adicional na fiscalização e planejamento de um Estado que passou a lidar com megaempresas e uma grande quantidade de negócios.

No governo, a Secretaria de Administração silencia sobre a contratação e seleção de pessoal, apesar de procurada durante duas semanas pelo JC. Da última vez em que tocou no assunto, há um mês, anunciou a suspensão de concursos até segunda ordem por causa do arrocho nos gastos públicos, após o aumento da folha de pessoal em 2012. Mas antes da pisada no freio, em 2013, já havia um descompasso. O atendimento ao público cresceu (saúde, segurança e educação), mas a inteligência de governo, não. Pelo contrário.

O Fisco tem prestígio em qualquer gestão por seu conhecimento da máquina pública e controle de receitas e gastos. Mas em Pernambuco a Secretaria da Fazenda (Sefaz) não faz concurso há 21 anos. Boa parte dos 1.361 cargos estão vagos. “De menos de mil auditores na ativa, 150 estão condições de se aposentar e serão mais 150 em 2014. Ficaremos com metade do quadro. Corremos sério risco de solução de continuidade”, diz Francelino Valença Junior, presidente do Sindicato dos Auditores, o Sindifisco.

Os mais novos estão na casa dos 40 anos, mas a média de idade é 60 anos. “Precisamos de pessoal para comparar dados e a realidade, pensar, executar fiscalizações, prevenir e combater irregularidades em uma economia em crescimento”, diz Francenildo. Um concurso de 60 vagas é promessa desde 2011.

No Estado dos investimentos recordes, que chegaram a R$ 2,97 bilhões em 2012, sendo R$ 1,23 bilhão efetivamente em obras, são apenas 150 engenheiros em toda administração direta. A memória não alcança quando foi realizado o último concurso para a categoria. “Certamente, desde o período da redemocratização a máquina pública foi colocada em segundo plano”, aponta o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), José Mário Cavalcanti.

Órgãos e pastas fundamentais para o desenvolvimento do Estado não possuem corpo técnico de engenharia suficiente para planejar, projetar e fiscalizar a execução das obras. As tarefas iniciais, por exemplo, passaram a ser tocadas por empresas. Ano passado, dentro das despesas com investimento, R$ 28,5 milhões foram para consultorias na área. “Planejamento é o tipo de função que não se deve nunca abrir mão e terceirizar”, lamenta Cavalcanti.

A situação mais preocupante é a do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE). “Está completamente defasado”, afirma a presidente da Associação dos Arquitetos e Engenheiros da Administração Direta e Indireta do Governo do Estado de Pernambuco (Assaepe), Paula Albuquerque. A Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos, que tem como prerrogativas combater o flagelo da seca e impedir tragédias impostas pelas enchentes, também carece de servidores.

Fonte: Jornal do Commercio

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3 Comments

  1. joão carlos disse:

    O governo do Estado de Pernambuco apenas contrata engenheiros para contratos de 2 anos em processo de seleção simplificada (baseados em critérios subjetivos). Foi assim que fizeram recentemente para a Secretaria de Administração, Secretaria das Cidades, Secretaria de Defesa Social e Procuradoria Geral do Estado. A Engenharia não tem nenhuma importância para o Governo do Estado. É uma função “descartável” de caráter temporária.

  2. Marilia Saraiva disse:

    A Secretaria de Administracao fez concurso em 2010 para o cargo de Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão e até hoje não convocou os aprovados. Destaca-se que, além de não haver expectativa de concursos, os que houveram não nomeiam. A pergunta que não quer calar é: “PE tem mesmo um modelo de gestão invejável!?”

  3. Alexandre disse:

    Por que vocês acham que não se faz concursos para áreas fiscais? Para que não se desmantele as “máfias” formadas dentro da fiscalização. No Rio de Janeiro por exemplo, foram 15 anos sem concursos mas com o novo governo os concursos são praticamente anuais. Algumas pessoas não gostaram nada disto pois acabou com a mamata de muita gente. Cobrem deles em Pernambuco pessoal!

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