Home » News » Carreira pública exige perfil específico! Você se encaixa nele?

Por definição, a condição de ‘concurseiro’ costuma ser temporária. Representa uma fase – mais longa para alguns, média ou curta para outros – na vida de profissionais que enxergam no serviço público uma carreira promissora, com salários atraentes e estabilidade. E é justamente este último ponto – a estabilidade – que costuma fazer do funcionalismo uma opção para toda a vida. Aqueles que conseguem ingressar nos quadros estatais quase nunca trocam essa realidade pela iniciativa privada. Mas, será que o exercício de um cargo público é para todos? E mais: qualquer um pode ser concurseiro – e sair-se bem nessa investida? “Sim, todos podem estudar para concursos. Porém, pessoas com maior nível de disciplina, capacidade de memória de conteúdo e com maior tolerância para conquistas de médio prazo costumam se sair melhor no resultado final. Acredito que esses sejam pontos importantes de serem avaliados e considerados ao longo desse processo, em busca do objetivo que é conquistar a vaga”, aposta Sabrina Ferroli, psicóloga e coach.

Em seu trabalho, a especialista ajuda na identificação do percentual de vocação para a carreira pública. “Sem dúvidas, o perfil mais adequado seria aquele que levaria nosso país a uma transformação de pensamentos, ideologias, princípios e moralidade. O funcionário público ideal possui isso de forma intrínseca e atua como um exemplo para os demais. É uma pena que muitos pensem de forma individualista em relação a uma carreira que tem como pano de fundo o servir. Dessa forma, características como iniciativa, responsabilidade, proatividade, trabalho em equipe, liderança, persistência e gestão de conflitos são competências fundamentais para quem sonha exercer cargos públicos”.

Uma das fundadoras do Instituto Karana, Sabrina Ferroli acumula mais de 18 mil horas de atendimentos individuais e coletivos, pautados na orientação profissional. Em sua experiência de atender pessoas mergulhadas no universo dos concursos, já se deparou com relatos que tinham tudo para ter um final feliz. Mas cujos desfechos, por mais contraditório que possa parecer, estavam longe disso. “O serviço público concentra um alto nível de afastamentos por depressão e doenças ocupacionais. Os salários são altos, mas o preço que se paga para recebê-los acaba sendo maior quando a insatisfação toma conta de uma pessoa que não é vocacionada. Na maioria das vezes, ela adoece. É comum os candidatos agirem de uma forma individualista, até mesmo egoísta, quando estão prestando um concurso. Acabam pensando nas vantagens individuais e se esquecendo que há vários outros fatores envolvidos”. Para fugir dessa ‘armadilha’, a especialista dá algumas dicas.

“É preciso compreender o que de fato te atrai nessa carreira. Por vezes, a pessoa passou por uma experiência mal sucedida no segmento privado, como não ser promovida quando esperava ou mesmo ser demitida e sentir-se desamparada. Porém, o desenvolvimento de competências não é relevante apenas no segmento privado. É importante considerar que, como toda carreira, há uma missão nesse ofício. E, sem dúvida, ‘tomar gosto’ pelo setor fará com que a pessoa encontre um sentido mais amplo, do que apenas garantir sua empregabilidade. Muitos são motivados pela estabilidade, mas acabam se frustando quando assumem o cargo, que não era nada daquilo que esperavam. O ponto central é compreender que a estabilidade é apenas um ponto de benefício no plano objetivo, mas que deve-se ter em mente algo maior. Buscar conhecer a natureza do cargo, as atribuições e responsabilidades pode ajudar a reduzir frustrações futuras e ampliar o nível de consciência do candidato. O funcionalismo público é uma carreira. E, uma vez lá dentro, as pessoas possuem um dever moral e de serviço para o povo. Pelo menos, assim é como deveria ser”.

No coaching, Sabrina busca oferecer um espaço ao concurseiro para refletir e perceber em que contextos ele pode estar bloqueando ações. Essa análise poderá levá-lo ao maior comprometimento com seu objetivo – que é ser um funcionário público. “Geralmente, as pessoas que me procuram estão estudando há algum tempo e percebem que não estão fazendo o melhor que podem ou obtendo os resultados que acreditam que deveriam. É interessante, porque é comum, ao iniciarmos o trabalho, identificar as crenças que estão por trás dessas limitações ou até mesmo perceber o que realmente motiva a pessoa a abraçar essa ‘missão’. É preciso estar atento sobre a seguinte reflexões: em que bases estabeleci o desejo de ser um servidor público? O coaching conectivo auxilia o concurseiro a identificar crenças, pontos de limitação e a estabelecer objetivos mais realistas com sua capacidade, além de rever a forma como vem tratando a preparação”.

Na prática, a especialista logo percebe um aumento significativo de consciência em relação ao processo, o que potencializa o que o candidato já vem fazendo de bom e o apóia a criar estratégias para ‘atacar’ o que precisa ser melhorado. “O que identificamos é que alguns deturpam o caminho e o esforço até o objetivo final da aprovação. Eles devem se lembrar que esta é uma fase e não uma condição constante. Lembrar que estudar é algo sério, mas não deve ser penoso. Bem-estar deve estar em primeiro lugar. O que não quer dizer que essa meta não exija sacrifícios. Podem haver prejuízos para a vida social, como o afastamento de amigos e até o término de relacionamentos afetivos. Mas, é importante considerar que há a necessidade de um equilíbrio. Afinal, tudo o que não está em harmonia gera danos. Cuidar da saúde e das relações é algo que precisamos aprender. Dinheiro, estabilidade e realização são importantes. Mas nada disso tem sentido se for à custa de sofrimento e dor”, conclui.

O depoimento de quem já ingressou na carreira pública

“No momento em que decidi seguir a carreira pública não pensei diferente do que muitos pensam… Estava em busca de estabilidade, até porque o momento econômico do país era diferente do atual. Não tínhamos um nível de desemprego tão baixo como agora. A decisão pelo BB aconteceu por considerá-lo uma empresa sólida, competitiva e respeitada. A porta de entrada foi o cargo de escriturário. Depois de algum tempo no banco percebi o quanto esta é uma empresa dinâmica e cheia de oportunidades profissionais para aqueles que buscam algo além da estabilidade. Ingressei em 2006 e em 2008 fui alçado ao cargo de assistente de negócios, passando por análise curricular e entrevista com o gestor da agência. No mesmo ano participei e fui aprovado em seleção para o cargo de assistente técnico na Previ – caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.

No ano de 2010, em nova seleção, fui promovido a analista I (equivalente ao analista pleno), função que ocupo até a presente data. Acho que muitas pessoas têm a opinião distorcida em relação aos funcionários públicos. É verdade que muitos serviços ainda precisam melhorar. Mas, assim como eu, existem funcionários buscando a excelência nos serviços prestados ao público em geral. Acredito no trabalho, na dedicação e na meritocracia – independentemente de onde trabalhamos, seja empresa privada ou pública. Aos concurseiros, deixo uma dica: façam um trabalho de pesquisa antes de optar por este ou aquele concurso, tentem descobrir como é o plano de carreira da empresa, se ela oferece oportunidade de crescimento profissional ou se você ficará eternamente preso ao mesmo cargo. Depois disso, com muito trabalho e dedicação, você não se arrependerá de ter escolhido o serviço público. Como tantos outros, será mais um profissional satisfeito e realizado”.
Rafael Sach, 32 anos, é analista pleno do BB na cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: Folha Dirigida

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2 Comments

  1. Henrique Ribeiro disse:

    Excelente artigo. Parabéns.

    Temos de lembrar: O serviço público é servir ao próximo. A mudança na qualidade e eficiência do serviço público está em nós, futuros servidores do estado/união.

  2. paulo disse:

    Valeu, boa sorte, tudo de bom. Paulo Henrique – [email protected]

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