Home » News » Ministério do Planejamento: Críticas à alta pontuação dos títulos

O concurso para especialista em políticas públicas e gestão governamental do Ministério do Planejamento está gerando polêmica a respeito do percentual estabelecido pela Esaf, organizadora da seleção, para pontuação da avaliação de títulos e experiência profissional. Especialista na área de concurso e ex-presidente da Associação Nacional de Defesa e Apoio aos Concurseiros (Andacon), Luciano Oliveira, aponta que esta fase equivale a 30% da nota (até 200 pontos) da primeira etapa da seleção (composta também por provas objetiva e discursiva. Segundo ele, rotineiramente, a avaliação de títulos em concursos públicos corresponde, no máximo, a 10% da nota final. “Aumentar em excesso o peso dos títulos deixa o concurso com um ar de que não se está querendo respeitar a isonomia, a impessoalidade, mas direcionar a disputa para pessoas que detêm esses títulos. Basta notar o peso excessivo que está dando à experiência profissional. O doutorado costuma fazer pouca diferença no concurso, porque poucas pessoas possuem esse título, então o peso da experiência profissional está superdimensionado”, explicou.

O especialista afirma que, ao estabelecer esse quantitativo exagerado para a avaliação de títulos e experiência profissional, o governo parece ter o intuito de efetivar pessoas que já trabalham no Ministério do Planejamento, entre os quais comissionados, cedidos ou terceirizados. “Parece que o governo quer efetivar pessoas que têm tempo de casa e muita experiência profissional, mas que até hoje não tiveram competência técnica para passar em um concurso. Agora a coisa fica reduzida a uma mera análise curricular maquiada de concurso. Não podemos permitir isso. Se isso virar moda, o concurso público no Brasil passará a ser desvirtuado como mecanismo de trem da alegria disfarçado”, afirmou. O ex-presidente da Andacon afirma que a avaliação de títulos não mede competência. “O concurso é direcionado para quem tem muitos títulos, ainda que não tenha conhecimento técnico necessário para o trabalho. Somente as provas (objetivas e discursivas) é que são capazes de efetivamente medir conhecimento, não os títulos, que trazem apenas uma presunção de que a pessoa tem conhecimento técnico”, frisou.

Questionado a respeito das medidas que podem ser tomadas para a reversão do caso, Luciano Oliveira acredita que a Administração Federal não vai ceder à pressão e diminuir o valor dos títulos ao razoável. No entanto, ele destacou que está tramitando no Senado Federal um projeto de lei para coibir esses abusos. “Esperamos a aprovação, no Senado Federal, do Projeto de Lei do Senado (PLS) nº74/2010, de relatoria do senador Rodrigo Rollemberg, que será uma lei geral de concursos. O texto foi proposto ao senador pela Andacon. Neste projeto queremos evitar abusos como esse. Defendemos que os títulos não devem valer mais que 10% da nota total do concurso. Além disso, queremos que seja vedada a utilização de tempo de experiência profissional. Precisamos do apoio de toda a comunidade concurseira para a aprovação dessa lei”, finalizou.

Fonte: Folha Dirigida

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3 Comments

  1. matheus disse:

    Sou totalmente a favor do alto peso das provas de títulos e especialmente experiência gerencial para concursos da administração pública. Concurso publico somente baseado em provas não recruta estimulaa profissicnais com experiência de mercado (principalmente em empresas com salário TOP de mercado. O funcionalismo publico precisa se renovar, ganhar eficiência e a contratação de pessoal com experiência gerencial seja de empresa privada ou pública somente irá enriquecer o processo.

    • Marcos disse:

      Concordo com o Matheus. A Administração Pública precisa mudar. Há gestores que não sabem nem falar em público, não sabem gerenciar nada, não tem raciocínio estratégico nem maturidade.
      Tem uns EPPGGs aqui no órgão onde eu trabalho que passam o dia inteiro na internet, sem ter o que fazer. Esse pessoal precisa ter mais maturidade, coisa que só se adquire trabalhando.. isso não se aprende em aulas de cursinho.

  2. Gugao disse:

    Ridiculo o comentario acima , tendo em conta que, se assim pensarmos, deveria se abolir as provas de concurso e efetuar recrutamento via currículos, justamente quando mais se deveria estimular o mérito, inclusive para o posto de cargos políticos, mesmo que apenas como uma fase de refinamento, em função do principio democrático.

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