Home » News » Educação/DF: Concurso plagiado

Seleção para a Secretaria de Educação do DF acumula queixas de candidatos. As acusações vão da falta de fiscalização à repetição de itens de provas anteriores. Apesar da pressão pelo cancelamento do certame, banca examinadora diz que ele será mantido.

Novas denúncias colocam em xeque o concurso para professor da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF), cujas provas foram aplicadas no último domingo. Somam-se agora às reclamações de falhas na fiscalização — filmadas por uma candidata com o próprio celular e divulgadas na última segunda-feira — acusações de plágio de questões e quebra de isonomia. Candidatos pedem o cancelamento do processo seletivo.

Segundo apontam pessoas que fizeram o exame, pelo menos sete enunciados da prova de conhecimentos específicos em matemática foram copiados de uma seleção de 2012 para a Fundação Helena Antipoff (FHA) — vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplg/MG) —, também organizada pelo Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC).

A questão 31 de matemática da secretaria do DF é igual à de número 44 da fundação mineira (no caderno de 20 horas); o enunciado 33 da SEDF tem a mesma ilustração do 50 da FHA; a pergunta 36 do teste da capital federal se assemelha à 58 do outro (somente os números são diferentes), bem como das questões 37 e 59 dos respectivos concursos. No item 38 do exame brasiliense, apenas a opção III é distinta da de número 31 (de 40 horas) da FHA. As questões 39 e 40 da secretaria do DF, por sua vez, são idênticas às 32 e 42 da fundação de Minas (veja fac-símiles).

Candidato a uma das 804 vagas da rede de ensino do Distrito Federal, André Pereira, 34 anos, percebeu o plágio ainda durante o concurso, porque havia estudado para certames em MG. “Isso fere a isonomia. Quer dizer que eu e qualquer outra pessoa que tenha feito esses testes anteriores ficaremos em situação melhor que os demais? Não é certo”, reclamou.

Sem proibição
Apesar da expectativa de que a seleção seja cancelada, Max Kolbe, consultor jurídico da Comissão de Fiscalização de concurso público da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF, diz que as acusações de plágio não são suficientes para tal medida. “Não há norma que proíba a repetição de questões em diferentes processos seletivos. Em virtude de a matéria ser a mesma, é possível cobrar sentenças idênticas ou semelhantes”, garantiu.

Ele diz, porém, que a apresentação de materiais que comprovem a falta de fiscalização compromete o andamento do certame. Kolbe aconselha aos inscritos que reúnam as provas e registrem um boletim de ocorrência. “Assim, eles poderão recorrer ao Ministério público do DF e à Defensoria Pública.”

A professora Nathália Vieira, 28, conta que um celular tocou na sala em que ela fazia o teste. “Primeiramente, os funcionários da banca acharam que o som vinha do corredor. Mas, depois, constataram que o telefone vibrava dentro do local, mas nem procuraram saber quem era o responsável, e ficou por isso mesmo”, reclamou.

“Além disso tudo, os fiscais conversavam (entre si) na sala. Tive que pedir para fazerem silêncio”, afirmou a candidata Dione Mendes, 52. “Os textos tinham erros de português. Acho um absurdo eu ter me dedicado tanto tempo para passar por esse desrespeito”, lamentou Eliane Maria de Andrade, 49.

Despreparo
O presidente do grupo Vestcon e ex-presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos concursos (Anpac), Ernani Pimentel, considera que a Secretaria de Educação do DF poderia ter contratado uma banca examinadora mais bem preparada. “Há uma clara falta de preocupação com a segurança da prova, que foi feita com pouco zelo. Além da má elaboração de algumas questões de gramática, há uma delas que apresenta duas respostas”, apontou.

A assessoria do IBFC alega que a seleção ainda está em fase de recurso — até 23 de dezembro, pelo site www.ibfc.org.br — e que, até o fechamento desta edição, não tinha conhecimento de questões plagiadas. De acordo com o instituto, caso seja comprovado que há perguntas idênticas às de outros concursos, serão anulados apenas os itens, e não a prova inteira.

Sobre a divulgação das imagens feitas via celular por uma candidata, a organizadora disse não ser motivo para interromper o concurso, porque, argumenta, não houve fraude. Para a banca, o vídeo mostra apenas o cartão de respostas em branco, sem o caderno de provas. A autora da gravação foi identificada e será desclassificada da seleção, sob o argumento de que provocou tumulto.

Investigação
Começaram a circular na internet na última segunda-feira imagens feitas por um celular do cartão de resposta da prova da rede pública de ensino. Além da autora das imagens, diversos candidatos reclamam de falhas na fiscalização nas salas de aula. As secretarias de Administração Pública e de Educação da capital federal prometem investigar as acusações.

Fonte: Correio Braziliense
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6 Comments

  1. FRANCISCA ANTONIA GOMES DO NASCIMENTO disse:

    BOA TARDE, COMIGO ACONTECEU VÁRIOS IRREGULARIDADES, UM DOS FATOS OCORRENTE. FOI QUE OS FISCAIS COLOCARAM A HORA ERRADA , QUANDO ERA EXATAMENTE AS ONZE HORAS. ELES ADIANTARAM , FALANDO QUE JÁ ERA MEIO DIA , ENTÃO FIQUE APREENSIVA E PASSEI AS QUESTÕES PARA O GABARITO , FALTANDO RESPONDER AS QUESTÕES DE CONHECIMENTO ESPECÍFICO . NO ENTÃO OUTROS FATOS QUE PRESENCIEI FOI QUE OS FISCAIS, CHAMARAM ALGUMAS CANDIDATAS FALANDO QUE TINHA PESSOAS CHAMANDO LÁ NO CORREDOR , ELAS SAÍRAM SOZINHAS E RETORNARAM LOGO DEPOIS. SEM CONTAR COM AS CONVERSAS DE ALGUMAS PESSOAS NA SALA, PARA MIM , ESTE CONCURSO PRECISA SER ANULADO , PORQUE É UMA FALTA DE RESPEITO COM OS CANDIDATOS QUE SE DEDICARAM VÁRIOS MESES ESTUDANDO PARA NO DIA DA PROVA , ACONTECER TAÍS EPISÓDIOS.

  2. Caly disse:

    Tem que cancelar esta prova mesmo!

  3. darcy disse:

    EU FIZ A PROVA E NÃO PERCEBI NENHUMA IRREGULARIDADE, NO LOCAL ESTAVA TRANQUILO.

    • tiago disse:

      Todos sabiam do banca maravilhosa que iria aplicar a prova…concurso vc deve estudar mt…ter sorte, estudar a banca, e ler bem o edital…vejo um monte de chororo, comeca estudar de verdade!!! Que na proxima pode dar certo, boa sorte.

  4. wagton disse:

    Esta na cara que o que houve foi em desrespeito geral. parece algo como vc contrata uma empresa de fachada que por sua vez terceiriza por um preço menor que o acertado e ganha muito dinheiro e da no que dá,um certame desqualifica com gabaritos, provas filmadas antes da aplicação e quem garante q não vazou o gabarito marcado antes.

  5. Cristina disse:

    A candidata sentada ao meu lado estava com o celular. Quase morri pra fazer a prova(tive uma perda muito grande no dia),faltava-me concentração e ainda a candidata com o celular ligado. Eu não consigo colar, já sou concursada,mas fiquei muito triste em ver o descaso dos fiscais,eu mesma fiquei com meu celular,tenho internet e tudo,mas não gosto,nem nunca gostei de colar,fiquei pensando : se esses candidatos verificaram respostas via net”,então tô fora,as notas dos mesmos serão altíssimas.

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