Home » News » Petrobras: Federação dos Petroleiros aponta urgência na abertura de concurso

A Petrobrás é uma das maiores empresas do mundo, e o emprego dos sonhos de muitos brasileiros. O último concurso da companhia foi feito em 2012, e tem prazo de validade já expirado. Em janeiro, a empresa anunciou o Plano de Desligamento Voluntário, que deverá retirar do quadro, nos próximos três anos, 8.500 funcionários. Para o empregado da Petrobrás desde 1984 e coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, a realização de um novo concurso é urgente.

“Existe uma grande necessidade de realização de um novo concurso. Ainda temos muitos terceirizados, cerca de 300 mil. Acreditamos que pelo menos 200 mil deveriam ser substituídos por concursados. Exigimos a realização de um novo concurso, para repor as vagas que ainda estão livres pelo longo tempo sem contratação e as que irão surgir com o Plano de Desligamento Voluntário” . Segundo João, a Petrobrás já sinalizou a realização de uma seleção nos próximos meses. “Eles disseram que vão fazer concurso, que existe a intenção de fazer um concurso emergencial neste primeiro semestre, já que 2014 é ano eleitoral e existem restrições para nomear candidatos. Não falou o número de vagas, foi dito em meados de janeiro.”

FOLHA DIRIGIDA – Quais são os principais objetivos da Federação Única dos Petroleiros?
João Antonio de Moraes – Nosso objetivo principal é a melhoria das condições de trabalho. A defesa dos direitos históricos da nossa classe trabalhadora, particularmente para a categoria petroleira. Com a expansão que o Brasil vive atualmente, o país, certamente, estará nos próximos cinco anos como o terceiro ou quarto mais rico em petróleo e gás no planeta. É um cenário de expansão muito grande. O maior desafio é garantir direitos para esse conjunto de trabalhadores, com direitos de trabalho, e que principalmente protejam a sua vida, já que é uma área muito perigosa.

O que já foi feito?
A FUP foi fundada em 1993. Nesses 21 anos resistimos muito durante o tempo do neoliberalismo, Fernando Henrique, Fernando Collor, a classe trabalhadora sofreu muito, mas afirmo sem nenhum receio que fomos uma das categorias que menos perdeu direitos. Já a partir de 2003 conseguimos grandes avanços nos direitos, grandes conquistas, e principalmente a melhoria de quantitativo na maior empresa do setor no país, que é a Petrobrás. A empresa vinha há praticamente 15 anos sem concursos públicos na área administrativa, dez anos sem concurso para as áreas operacionais, e de 2003 para cá praticamente em todos os anos temos concurso. Que estão em diminuição, é um desafio que encontramos no momento. Em 2002 a Petrobrás tinha 32 mil trabalhadores, agora temos 65 mil. Os terceirizados, estimamos na ordem de 300 mil, e em 2002 eram 100 mil.

Existe defasagem de pessoal na Petrobrás? Qual é essa carência?
Sim, existe uma grande defasagem na Petrobrás. Com certeza. Não seria nenhum exagero dizer que a Petrobrás precisaria pelo menos dobrar o número de trabalhadores, considerando o que a empresa cresceu nos últimos anos.

Quais são as áreas com maior necessidade de contratação?
A área administrativa ficou muito tempo sem contratar, e hoje notamos que é a área em que faltam mais pessoas. Mas isso não significa que em outras áreas não faltem, pois faltam. A Petrobrás é uma empresa de técnicos de operação e engenheiros, faltam muitos profissionais nessas áreas.

Qual a necessidade de realização de um novo concurso?
Existe uma grande necessidade. Ainda temos muitos terceirizados, cerca de 300 mil. Acreditamos que pelo menos 200 mil deveriam ser substituídos por concursados. Exigimos a realização de um novo concurso, para repor as vagas que ainda estão livres pelo longo tempo sem contratação e as que irão surgir com o Plano de Desligamento Voluntário.

A diretoria da Petrobrás já deu alguma posição à FUP sobre a realização de novo concurso?
Eles disseram que vão fazer concurso, que existe a intenção de fazer um concurso emergencial neste primeiro semestre, já que 2014 é ano eleitoral e existem restrições para nomear candidatos. Não falou o número de vagas, foi dito em meados de janeiro. Foi o gerente executivo de Recursos Humanos, Antônio Sergio. Eles sinalizaram, estão fazendo levantamento. Acredito que o concurso será para as áreas operacionais e atividades-fim, nas quais os profissionais demoram mais tempo para se formar. A prioridade é a substituição dos profissionais que irão ficar por até 36 meses. A área operacional leva muito tempo para formar, diferente da administrativa.

A desafagem influencia nos resultados da empresa?
Sim. A empresa hoje tem mais dificuldades para crescer do que teria se tivesse feito concurso naquele longo período sem seleções. As administrações que promoveram a redução de profissionais da Petrobrás prejudicaram o crescimento. Em 1989 a empresa tinha 60 mil funcionários, e teve redução. Foi para 39 mil. Uma grande queda, o que prejudica até hoje. A falta de pessoal certamente prejudica o
desenvolvimento da empresa. É altamente prejudicial às finanças da Petrobrás.

Existe alguma relação entre falta de pessoal e acidentes de trabalho?
Nós associamos muito os acidentes à terceirização. Não em função dos trabalhadores, mas como a terceirização é a precarização do trabalho, aumenta o risco. Para nós são três pilares: falta de equipamento de segurança, tecnologia, o segundo a falta de pessoal e com isso a sobrecarga de trabalho, e o terceiro ponto a terceirização que precariza o trabalho, as condições.

De que forma a terceirização prejudica o desenvolvimento da companhia?
A terceirização é acompanhada da precarização. O setor de petróleo exige um profissional altamente qualificado e experiente. A partir do momento em que as empresas tercerizadas contratam em piores condições, há uma rotatividade grande, isso certamente prejudica as condições de trabalho. Uma equipe própria tem condições de desempenhar um melhor papel.

Com o Plano de Desligamento Voluntário a realização de um novo concurso torna-se ainda mais importante?
Com certeza, a empresa está estimando em 8.500 trabalhadores que podem ser candidatar ao PDV até o final de março. Ela estima a saída dessas pessoas em até três anos. Algumas devem sair imediatamente. Tem que ter concurso para repor essas pessoas. E dificilmente em três anos você conseguirá substituir profissionais tão experientes e capacitados como os atuais. Então, consideramos que mesmo que a empresa faça concurso para contratar 8.500 pessoas, ainda haverá algum tipo de prejuízo.

Com o PDV 8.500 funcionários poderão se aposentar. Eles estão sobrando? Qual a necessidade de realiazar o PDV?
É inegável que a Petrobrás tem um número elevado de trabalhadores já aposentados que continuam na ativa. Estimamos em 7 mil profissionais. São quase 10% da força de trabalho. Reconhecemos que esse é um problema. Na nossa visão, a empresa está indo na linha de redução da força de trabalho. Na visão do gestor, esses profissionais estão sobrando. Na visão da FUP, não, eles ainda são necessários. O plano é vantajoso para quem já está aposentado e iria sair daqui a alguns meses, anos. São oferecidos alguns incentivos, então é bom para essas pessoas.

As funções da empresa poderão ficar comprometidas?
A nossa grande preocupação é com a sociedade. A Petrobrás é estatal e tem obrigação em contribuir para o desenvolvimento nacional. A saída desses profissionais poderá por em risco o funcionamento de algumas unidades da empresa, se essa saída não for bem dosada, e os concursos feitos. Outra preocupação é com os que ficam. Na medida em que profissionais experientes saem, pode ocorrer sobrecarga de trabalho. Temos o receio de que as funções sejam comprometidas, sem contratações no número ideal, ou que as contratações não tenham tempo de se qualificar.

Como é a relação da FUP com a Petrobrás?
É uma relação de muito diálogo, mas nem sempre esse dialógo termina em resultados positivos. O PDV não foi discutido com a FUP, o que deveria ter ocorrido.

Fonte: Folha Dirigida
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1 Comment

  1. magno dantas disse:

    está previsto para 2014 ou 2015 ? duvida …

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